Apetece-me ser eu.
Apetece-me desatar a escrever nas paredes do meu quarto e relembrar o que é importante. Tenho saudades do que sou e do que não tenho sido. Tenho saudades da raiz, do início, dos que sempre estiveram e não estão mais, dos que partiram sem escolha ou aviso, dos que estão e mudaram e dos que estão e são a base.
Preciso da paixão que me reinventa, em que reinvento e me escrevo de novo. Sem pontos, sem vírgulas, sem parágrafos e sem quebras. Só paixão. Simples, intensa, vivida, fogosa. um escape ao comedido e ao banal. Sinto falta do não socialmente aceite e dos tempos em que o simples acordar já era um desafio. Em que olhar-te nos olhos era suficiente para saber que se caísse me levantaria como se nada tivesse acontecido. Em que uma recaída não era um problema mas uma fase, mais uma entre tantos revés. A ti, obrigada, sempre.
Já a ti não te guardo rancor, simplesmente odeio ter perdido uma parte importante de mim por ti. Talvez não por ti mas contigo. Com essa tua forma quadrada de ver a vida e de seguir padrões e moldes que a sociedade criou como sendo os habituais. Lamento mas nunca fui de casar, ter filhos e viver o conto de fadas. Preciso de mais, muito mais e isso não me chega. Nunca chegou. E sair foi a melhor escolha, a mais acertada, a menos ponderada, a que parecia errada na altura mas que só pode ser a correcta. E estou grata por isso.
Preciso de um novo prisma, de um novo ponto de partida, de uma nova rota e de um novo destino. Porque isto não me chega. E quem está mal muda-se.